É verdade, dentro de dois dias TODAS as lojas serão invadidas pela onda da época que eu mais detesto no ano. Já se vê alguma coisinha em alguns sítios, mas dentro de dois dias seremos engolidos pelo espírito cor de rosa em forma de coração ou de ursinho de peluche do raio do São Valentim que me irrita profundamente.
Toda eu sou fã de coisinhas fofinhas e amorosas, cor de rosa de preferência – há uns dias (meses, vá) perguntei ao marido se sabia qual a minha cor preferida, respondeu cor de rosa e apeteceu-me desancá-lo porque ao fim de onze anos ainda não sabia que a minha cor favorita era o azul… -, de pirosices e de coisas pindéricas com brilhinhos e com lantejoulas e coisas assim, mas eu sou assim o ano todo!!! Não passo a ser assim durante os catorze dias que antecedem a porcaria do dia dos namorados e isso irrita-me! Mas irrita-me mesmo muito a sério, especialmente se calho de ir jantar fora nesse dia, porque é ver casalinhos de gente que se detesta o ano todo, mas que se adoram de morte nesse dia, porque tem de ser.
Nesse dia, o companheiro até diz que a sua miúda está com o cabelo diferente – meninas, é porque assumiu que foram ao cabeleireiro, não é porque acham que está diferente, ‘tá? Passo a exemplificar: hoje mudei de champô, estou a usar um que me custa os olhos da cara, mas faz milagres, certo? Perguntei ao marido – que sabe do meu dilema com os anteriores champôs e que me viu comprar este e que me ouviu dizer maravilhas dele – “Não notas nada de diferente em mim?”, resposta imediata: “É, já vi que puseste blush – sim o meu marido em onze anos já aprendeu alguns termos que lhe fui ensinando, sabe o que é blush e sabe, por exemplo, o que é um cardigan, coisa que muita fashionista desconhece! -”. Certo, tenho blush, mas antes disso, coloquei creme hidratante, corretor verde para atenuar o tom vermelho, base para uniformizar, iluminador, três tons de sombra nos olhos, eyeliner, máscara de pestanas, batom… mas nada disso importa, porque o que eu referia era o raio do cabelo, pá!!! Resposta: “Ah, sim! Está bonito!”. Percebem, eles não reparam no cabelo, nem na maquilhagem porque com a carrada toda que eu tinha em cima, ele só viu “blush”, mais nada. Mas é isso que me irrita, ao menos o meu marido chega ao dia dos namorados e não passa a ser a pessoa mais romântica à face da terra, porque não somos assim e porque nem eu nem ele somos gente de fingir.
No ano passado desejei “feliz dia dos namorados” ao marido no dia sete ou oito ou algo do género, porque é dia dos namorados quando eu quero e não quando as lojas mandam! E jantámos em casa no dia, uma comida normalíssima, igual à de sempre – sem velas nem nada dessas coisas – e às nove já estávamos prontinhos para dormir.
Acreditem, ser namorados é algo que se faz todos os dias e dar esse valor todo ao dia é não pensar no resto do ano.
Aliás, dias dos namorados para mim, só serve para ter desculpa para pedir prendas – coisas que eu queira e precise, não me refiro a ursos de peluche -, aliás, já fiz a carta ao pai natal dos namorados. Quero as sapatilhas – sim, uma variante de sapatos – de ballet que vi na sportzone.
Tirando isso, tenho dito, o dia de São Valentim irrita-me profundamente!